História
Se você está começando a pesquisar sobre o autismo agora, ainda vai ver este nome muitas vezes: Leo Kanner. Ele foi um psiquiatra austríaco radicado nos Estados Unidos que na década de quarenta realizou uma pesquisa e a publicou descrevendo a condição de 11 crianças que tinham em comum "um isolamento extremo desde o início da vida e um desejo obsessivo pela preservação da rotina“, dando o título: Distúrbios Autísticos do contato afetivo ("Autistic disturbances of affective contact“). Kanner se utilizou do termo autismo que Plouller em 1906 usou para definir a condição de alguns pacientes que sofriam com a esquizofrenia e que Bleuler em 1911 usou para definir a perda de contato com a realidade pela dificuldade de comunicação também dentro do quadro de esquizofrenia, Kanner diferencia o autismo destas psicoses utilizando o termo para definir a síndrome que ainda hoje conhecemos como autismo infantil.
Apenas na década de 70 com estudiosos com Ritvo (1976) passam a considerar o autismo não uma psicose, mas um distúrbio do desenvolvimento.
Não podemos deixar de mencionar um outro nome muito citado quando se fala em autismo: Hans Asperger. Pediagtra austríaco contemporâneo de Leo Kanner (no entanto jamais se conheceram), Asperger também realizou um estudo com um grupo de crianças, com alterações no desenvolvimento e um padrão alterado de comportamento, que entretanto , apresentavam uma condição um tanto mais branda, não havia atraso na linguagem ou no desenvolvimento cognitivo. Seu trabalho também usou o termo autismo e foi feito na mesma época (Kanner em 1943 e Asperger em 1944) e a diferença descrita no grau de comprometimento deu nome a um tipo mais brando de autismo: Síndrome de Asperger..
A partir de 1980 o Manual Diagnóstico e Estatístico (DSM III) traz um capitulo dedicado a Distúrbio Generalizado do Desenvolvimento incluindo o autismo, já no Código Internacional de Doenças em sua 9ª edição (CID-9 OMS, 1984) conceituava o autismo como um subtipo das psicoses da infância que evoluíam para a esquizofrenia.
Com o tempo, os conceitos foram sendo revisados – e ainda o são – sendo que as versões atuais do CID-10 (1993) o autismo é considerado um distúrbio do desenvolvimento e no DSM-IV (1995) foi enquadrado no eixo II como distúrbio que responde melhor às intervenções terapêuticas e seus sintomas podem sofrer maiores variações.
Fonte:
Camargos Jr., Walter (coord.) - Transtornos Invasivos do Desenvolvimento: 3o Milênio / Walter Camargos Jr e
colaboradores. -Brasília: Presidência da República, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, 2005


